Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sábado, 12 de agosto de 2017

Sailor Moon - Live Action


Encerrando a série de posts comemorativos aos 25 anos de Sailor Moon chegou a vez de falar do Live Action.
Mas antes, foram anunciados dois filmes baseados no quarto arco do mangá, assim que tiver mais informações posto aqui.
O ano é 2002, Sailor Moon completa 10 anos, fazem cinco anos que o mangá terminara sua publicação, os fãs esperam por algo especial. Foi quando Naoko Takeushi, a criadora da série, sinalizou novidades.
E novidade é o termo certo, muitos esperavam uma continuação do mangá ou um remake do anime. O décimo aniversário era a chance perfeita de apresentar a obra para uma nova geração, de certa forma foi o que aconteceu. Naoko anunciou a produção de um live action.
Os fãs ficaram inertes: não sabiam se ficavam animados com a volta, imaginativos com a produção ou preocupados com a adaptação. Vale dizer que até hoje o live action divide opiniões.
Em Agosto de 2003 o seriado estreou e foi um sucesso.

O Choque Inicial

É inevitável olhar a caracterização das atrizes e não ficar chocado, os uniformes parecem cosplayers, as lutas são feitas em coreografias de Ballet (o que faz
sentido dentro da mitologia fofa de Sailor Moon), os vilões são monstros de borracha ao melhor estilo Changeman ou Jaspion (Power Rangers, para os mais novos) o que mais chocou foram os cabelos.
Todas as cinco são japonesas, ou seja cabelos negros e "normais" dentro de um padrão, Usagi usa marias chiquinhas e Makoto um rabo de cavalo, uma vez transformadas seus cabelos também se transformam, resultando em um visual bizarro.
O seriado é repleto de momentos "vergonha alheia" como vilões fantasiados, figurino exagerado, transformação em computação gráfica, tudo isso dá um tempero trash irresistível, que faz o live action ficar irresistível.

Personagens Profundas

O grande mérito da série é a maneira como as cinco guerreiras são trabalhadas, diferente do anime, onde cada episódio trazia Usagi em aventuras solo e episódios esporádicos para cada Sailor brilhar. Aqui a coisa é mais dividida e profunda.
A série clássica tem dois problemas: fora a Usagi ela não aprofunda a vida e os dramas de cada personagens e existe um excesso de episódios que não acrescentam nada. O live action veio para corrigir esse erro.
Cada Sailor tem seu drama pessoal, na série eles são bem explorados: a solidão da Makoto, a relação da Rei com seu pai, a dificuldade que Ami tem para se ajustar e as renúncias que Minako faz pela sua missão.
A maioria dos episódios possuem algum elemento que contribui para a mitologia, são raros aqueles em que nada acontece, tornando a coisa mais dinâmica. É muito legal ir acompanhando mais de perto a vida pessoal das meninas, seus momentos de fragilidade e alegria. Nesse contexto a trama e os vilões são apenas uma desculpa para a interação das cinco.
O grande tema do live é a amizade, diferente do anime onde tudo sempre está bem e as meninas se entendem e até se separam. Aqui a coisa é mais real. Toda a amizade tem discussões, brigas, desentendimentos não resolvidos e que vão crescendo e as vezes tomam proporções desmedidas.
De início Rei não quer saber de amigas, topando lutar apenas para cumprir sua missão, Ami tenta mudar quem ela é para ficar mais amiga da Usagi, já Minako trata suas companheiras com frieza devido sua missão. Usagi sofre por um amor não correspondido, Mamoru (o Tuxido Mask) tem uma noiva.


A Trama

O Live Action não é muito diferente de tudo que vimos: a Rainha Beryl quer encontrar o Cristal de Prata para reviver sua soberana, a rainha Metália, para isso conta com ajuda de seus quatro generais.
As Meninas vão despertando seus poderes e se reunindo tentando encontrar a princesa, a qual acreditam ser a Sailor V (que tem um destaque maior do que no anime). 

Ao mesmo tempo Tuxedo Mask salva Sailor Moon, mas não sabe o motivo de estar apaixonado por ela, o rapaz tem sonhos que o mandam encontrar o Cristal de Prata.
A maioria das personagens da série clássica estão lá, alguns bem diferentes como o Motoki Furuhata, que no anime era o amor platônico de todas as garotas, aqui ele é um esquisito que ama tartarugas! A mãe da Usagi ficou tão amalucada e brincalhona quanto a filha. O que explica muito da garota.
Quem chama a atenção é a Naru, melhor amiga de Usagi (no anime seu nome foi traduzido como Moly, lembram dela?). De todos os coadjuvantes ela é quem tem mais destaque, graças a beleza e simpatia da atriz e cantora Chieko Kawabe.
Em determinado momento a série vai se distanciando do mangá, chegando a ter personagens próprios (que eu não vou falar, se quiser saber vai ter que ver a série).
Antes de acabar uma ultima curiosidade, a música tema foi escrita pela própria Naoko. Com tudo isso vale a pena assistir o Live Action? A resposta é um grande sim! Sendo ou não fã das marinheiras da lua o seriado é diversão certa. 


Personagens


Usagi/ Sailor Moon
Atriz: Sawai Miyuu
De longe a adaptação mais fiel, vemos todos os exageros do anime, abobalhada e atrapalhada ela vive esbarrando nas pessoas na rua e está sempre no mundo da lua. Apaixonada pelo Tuxedo Mask (ou Tuxido Kamem). Nessa versão ela é menos medrosa e chorona, sendo mais útil nas lutas do que sua versão animada.
Outra característica muito legal da Usagi é sua popularidade, na escola ela está sempre rodeada por amigas, isso se deve a sua personalidade, um verdadeiro imã de pessoas. Ela conhece alguém e logo vai chamando pelo nome e dando apelidos, algo raro e não muito bem visto pelos japoneses. A Rei que o diga, a garota fica indignada com a proximidade da coelha pouco depois de se conhecerem.
A Usagi foi a personagem de mais destaque da Sawai Miyuu, que depois nunca mais protagonizou outro drama, série ou filme. Ela lançou algumas músicas, faz pitacos em dramas e filmes, tem uma carreira sólida como modelo. O ramo onde mais se destaca é na dublagem de animes.


Ami Mizuno/ Sailor Mercúrio
Atriz Hama Chisaki (ou Rika Izumi)
Ami é a preferida dos japoneses, logo teve um destaque maior na série.
Ami é a típica nerd: se isola dos outros e só pensa em estudar. Diferente do anime, onde tudo está sempre bem aqui a garota é sozinha, não porque quer, mas por não saber como fazer amigas. Ela fica radiante quando Usagi se aproxima.
Como alegria de sailor dura pouco ela descobre que foi escolhida para lutar e pensa que a aproximação da Usagi se deu apenas pela missão delas e se afasta. 
Em outro episódio a garota tenta aprender a fazer amigas e para isso compra um livro ensinando (típico lixo de auto ajuda), ela se força a ser mais como a Usagi, nossa coelhinha da lua não percebe nada de estranho nisso (vai ser burra assim lá na lua). 
Das cinco ela é a mais observadora, sempre percebendo quando alguma coisa incomoda uma amiga e está sempre disposta a ajudar, seu vínculo com as demais segue sendo o mais frágil devido a sua insegurança, em alguns momentos ela precisa se deparar com sua inveja e com a decepção.
Se a Ami é recatada e delicada o mesmo não pode ser dito de sua interprete, Chisaki até tentou seguir carreira como cantora, mas ela mudou de nome e virou Gravure Idol - um tipo de modelo que faz fotos sensuais lançadas em livros. Sensualidade é a palavra certa, faça uma pesquisa, mas antes certifique-se em estar sozinho.


Rei Hino/ Sailor Marte
Atriz: Kitagawa Keiko
Arredia, severa e muito sincera (ou quase) Rei aparenta não querer amigos, ela vive isolada em um templo (palmas para quem construiu o cenário, está perfeito) e mantém uma cara fechada. Tudo isso é uma máscara da garota que reprime seus sentimentos e evita outras pessoas, evitando assim novas feridas.
Esse isolamento tem motivo, Rei era muito apegada a sua mãe, quando essa morreu seu pai (um político) a abandonou no templo se encontrando uma vez por mês. Em um episódio vemos a tristeza de Rei ao perceber que um desses encontros serviria apenas para mostrar aos eleitores como é um bom pai. 
Outro drama da garota é a saudades que tem de sua mãe falecida quando ela era uma criança. Não é de se estranhar que a sacerdotisa ficou arredia. Com o passar dos episódios seu coração vai amolecendo, principalmente depois que conhece a Minako.
Rei e Minako são muto parecidas, elas não permitem se divertir, são duras e severas. Por isso brigam tanto, dai nasce uma forte amizade, clara referência a mitologia romana onde Marte e Vênus são casados.
De todas as atrizes a Keiko foi quem se deu melhor, hoje ostenta status de estrela protagonista de dramas e filmes, chegou a fazer uma participação em Velozes e Furiosos 3. Dentre seus filmes recomendo Paradise Kiss (adaptação brilhante de outro Shoujo). 


Makoto Kino/Sailor Júpiter
Atriz: Azama Mew
Outra grande sacada do live action, Makoto nos é apresentada como uma garota de trejeitos masculinos, Usai chega a dizer algumas vezes que ela parece um garoto. Meio rude e vestindo-se como rapaz ela afasta as pessoas só com sua presença e olhar selvagem, lógico que Usagi se aproxima fazendo amizade.
São nos pequenos detalhes que Mako se revela, uma história de percas fez com que ela se feche para outras pessoas: marcada pela morte de seus pais e depois a cruel rejeição de um cara de quem ela gosta resultou numa briga e sua transferência de escola. 
Logo de cara ela é enganada por três moleques que forjam uma carta de amor, a menina se arruma toda e espera horas na chuva. Uma crueldade, devidamente vingada por Usagi, Rei e Ami.
Depois de virar uma Sailor Mako vai se soltando e vira uma das personagens mais divertidas do live action, ao lado da Rei (por causa da Keiko) ela é minha personagem preferida do live. Após tanto sofrimento ela encontrou amigas que a aceitam e ela pode ser quem é.
Azama Mew parece ser bem diferente da Mako, a atriz é a encarnação da meiguice, o que só revela sua boa atuação, mesmo conseguindo se consolidar como atriz ela é mais conhecida por seus singles e trabalhos como modelo, onde empresta seu rosto para marcas e produtos.


Minako Aino/ Sailor Vênus
Atriz: Komatsu Ayaka
De todas a Sailor a Minako foi quem mais sofreu mudanças, o motivo deve ter sido evitar um cast duplicado, quem leu meu post sobre Sailor V sabe que a Usagi foi inspirada na Minako. Diferente de um anime uma série com atores precisa de personagens bem delimitados, até para dar liberdade de criação e interpretação. A solução foi deixar a protegida de Vênus mais amarga.
O Live começa com Minako sendo uma idol, uma das mais famosas, no primeiro episódio vemos um pôster dela no quarto da Usagi, sua vida é muito diferente das outras quatro, ao encontrar com Sailor Moon e as outras a cantora se recusa a fazer parte do grupinho, não por estrelismo, mas por experiência. Ela se passa pela princesa, atraindo a atenção do inimigo, protegendo Usagi. Ao preço da solidão ela se sacrifica.
Minako tem todas as lembranças da vida passada e sabe da tragédia que pode se repetir, por isso é 100% dedicada a sua missão, considera qualquer tipo de diversão uma perca de tempo e até mesmo perigosa! Postura essa que cobra um preço alto, Ayaka empresta profunda tristeza em sua Minako, que diferente do anime é melancólica e sombria. Após a metade da série descobrimos uma terrível sombra se aproximando dela.
O live action dá mais espaço para Sailor V, que combate crime e observa as demais guerreiras a distância, nos poucos momentos em que se aproxima das demais ela revela-se uma garota amiga e companheira, essa dureza é para tentar preservar a vida da princesa se colocando como alvo.
Minako se identifica com Rei, as duas começam brigando, isso porque Rei se vê na protegida por Vênus, erguendo uma barreira para ficar isolada, já dizia o sábio: "eu odeio as pessoas por elas mostrarem o que odeio em mim mesmo". 
Intrigada Marte tenta aproximar-se, aos poucos, onde vai conhecendo o coração de Mina e uma relação não muito definida surge entre elas. 
A Ayaka é outra atriz que deu muito certo, depois da Kitagawa é quem tem a carreira mais sólida nas atuações tanto em dramas como em filmes, ela também é uma cantora de sucesso e modelo que sabe explorar muito bem seu erotismo, mas sem ser vulgar. 

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