IX Anos de Os Deuses Mortos

Os Deuses Mortos Nove Anos

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Kill la Kill

Uma garota em busca de vingança, uma sociedade de classes, situações loucas e lutas absurdas, muito fã service em um anime onde as coisas não são o que parecem. Essa seria a melhor forma de descrever Kill la Kill.
Outra maneira de descrever esse anime único (e não estou usando figura de linguagem) é como a história de duas garotas: Ryuko Matoi e Satsuki Kiryuin.


Uniformes curtos e tesouras

Kill la Kill começa com Ryuko chegando a academia Honnouji em busca da verdade sobre a morte de seu pai, percebendo que está em um lugar diferente (para dizer o mínimo), um colégio hierarquizado, onde a líder Satsuki Kiryuin, membro de uma rica família, comando o colégio com mãos de ferro.
Nessa instituição os alunos agraciados usam uniformes com fibras de vida chamados Uniformes Goku (Gokuseifuku, junção de Gokusei que significa dominação e seifuku uniforme escolar). Esses uniformes dão poderes sobre-humanos para seus usuários graças a um material misterioso chamado fibra de vida.
No primeiro episódio Ryuko salva uma garota hiperativa e preguiçosa chamada Mako, que a acolhe em sua casa. 
Ryuko é "atacada" por seu uniforme

Ryuko procura pelo assassino de seu pai e não está nem ai para o colégio. Aparentemente ela descobre que Satsuki sabe alguma coisa e a desafia.
Sem entrar em detalhes para não estragar a experiência de quem não viu Ryuko descobre nos destroços de sua casa um porão contendo um uniforme escolar vivo que lhe dá poderes superiores aos uniformes Goku. 
O designer ousado dese uniforme transforma Ryuko em sex symbol, o que rende algumas das melhores piadas do anime. Chamada constantemente de exibicionista a moça não pode fazer nada, uma vez que o modelo do uniforme foi desenhado pelo seu pai e não muda.
Por ser um uniforme vivo ele fala e conversa com Ryuko, a única capaz de ouvi-lo. Mais uma vez nossa protagonista passa por louca. Mako diz para todos que Ryuko é solitária e ama seu uniforme, segundo a garota essa amizade é muito bonita e inspiradora. Sim a Mako tem um parafuso a menos.
Ryuko acaba abrigada pela família de Mako na favela onde vivem. O pai é um médico que orgulha-se de matar mais pacientes do que consegue salvar, o irmão é um trombadinha e a mãe uma cozinheira alienada. Lá a moça do cabelo curto é feliz, menos quando tenta tomar banho, já que os homens da família (e o cachorro) tentam espia-la.
A única pista do assassinato de seu pai é uma meia tesoura vermelha que Ryuko usa como espada. Essa tesoura tem a capacidade de aumentar ou diminuir de tamanho e é a única arma capaz de cortar os uniformes Goku.

As Primeiras impressões enganam

Kill la Kill é um anime que pode facilmente te
Satsuki Kiryuin
enganar. Ele parece um obra de ação comum com uma heroína em busca de vingança que se depara com uma grande vilã. Nada está mais longe da verdade.

Ryuko vaga pelo país em busca da verdade sobre a morte de seu pai, um cientista, suas andanças a levam para a academia Honnouji, onde o conselho estudantil, comandado por Satsuki, impera oprimindo os estudantes.
O colégio opera em uma meritocracia exagerada e distorcida: os estudantes são ranqueados em três estrelas, duas estrelas, uma estrela e sem estrelas. Essa classificação resulta em sua qualidade de vida. Quanto mais estrelas mais conforto. Os de três estrelas moram em mansões; já os sem estrelas moram em favelas.
Como alguém conquista uma estrela? Em um misto de conquistas acadêmicas e desempenhos nos clubes escolares. Se um aluno frequenta um clube que se desenvolve bem, realiza suas atividades com sucesso e conquista membros ele vai receber estrelas. A quantidade de estrelas se relaciona com sua posição no clube. Presidentes de clubes tem mais estrelas que novatos.
Os alunos desleixados, que não frequentam clubes, tiram notas baixas, se atrasam constantemente e dormem durante as aulas não ganham estrelas. 
Conforme os episódios vão se desenvolvendo vamos conhecendo a outra protagonista, Satsuki Kiryuin e descobrimos que suas motivações não são tão egoístas como pensamos. Ela não é uma patricinha arrogante que quer mandar em todo mundo, mas sim uma garota preocupada em combater as injustiças do mundo.
Percebemos que ela construiu esse sistema depois de ver pessoas sofrendo nas mãos dos mais fortes sem poder se defender. Satsuki decidiu desde pequena ser essa defesa e criou a academia Honnouji. 
Dependendo do ângulo que você olhe a história muda, ambas as protagonistas podem ser taxadas de excessivas e radicais ou de bondosas e heroicas. Aliás Satsuki é até mais heroica que Ryuko por querer combater as injustiças, a moça da tesoura quer apenas solucionar a morte de seu pai, todo o demais é consequência.


Um estúdio Inovador

Kill la Kill  foi a primeira animação do estúdio Tigger, fundado por dissidentes da Gainax. Lendário estúdio
Muito fanservice
responsável por Evangelion. O diretor do anime Hiroyuki Imaishi foi o animador principal de Evangelion e diretor de Tengen Topp Gurren-Lagan.

A adaptação do roteiro ficou por conta do outro sócio Kazuki Nakashima, responsável por animes como Crayon Shin-chan e Gurren-Lagan
A influência da Gainax é importante e visível dito que esse foi o primeiro estúdio criado por otakus e voltado para otakus. Sendo responsável pela criação do fanservice, enxertos generosos de cenas cômicas e absurdas, situações que desafiam a lógica e claro mocinhas sensuais em situações de pouca roupa.
Kill la Kill não tem compromisso com a realidade, marca do estúdio e herança da Gainax.
Outra herança do estúdio pioneiro fica nas camadas do roteiro. Evangelion e Gurren-Lagan começam prometendo um anime comum e vão se revelando algo mais profundo, suas personagens são verticais, repletos de dramas enquanto a história em si vai se ramificando até você perceber que não existem cenários simples ou histórias lineares.

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